aaaaargh, atravessada por mil agulhas.
acabaram de atear fogo aos desejos da árvore da despedida, neste exato segundo, mas eu fiquei saturada de pessoas, vozes, mãos, copos, sons, olhos, fumaça, e vim me retirar um momento, como normalmente faço nessas reuniões sociais, pra viver sem o leve sorriso contraído no canto da boca, sem sapatos e com a calcinha à vista pois estou com as pernas confortavelmente abertas.
eu prefiro a boa e velha coisa lenta, demorada, introspectiva e solitária. todos já se mudaram do apartamento mas eu resolvi dormir aqui sozinha até o último dia com tudo o que eu realmente preciso para viver, um tanto mais até, e percebo que na verdade não se precisa de quase nada que faça volume e que coisas que eu realmente precisava não existem agora, e a àrvore dos desejos em chamas.
tenho:
o colchão de solteiro no chão com lençol, edredon e um travesseiro
uma luminária
caderno
estojo de canetas stabilo, lápis, borracha e estilete
uma pequenha mala de roupas, sapatos e derivados
o computador
telefone
remédios homeopáticos, incluindo a passiflora pra dormir decentemente
câmera fotográfica
dicionário de alemão
"novelas", edição com 3 delas, do beckett
ipod
kit com garfo, faca e colher, um de cada
acho que a lista já está grande.