14.10.07

sono









pelo terceiro dia consecutivo, minha noite de sono dura 15 horas. cansada de abrir os olhos, deve ser isso. ou cansada de abrir os olhos, ver os pares de números vermelhos separados por bolinhas, e essa visão significar tanta coisa além dos pares de números demoníacos (aqueles que se repetem como onze e onze, quinze e quinze, quatro e quarenta e quatro, os vários modos de significar a Besta) - cinco entre sete dias eles me fazem arder a cabeça e de leve o peito, e me levanto correndo, os passos quase firmes em direção à máquina de café, bálsamo primordial de mais um dia.

deveria viver segundo um despertador fisológico, relógio de sol, ou acordada pelas asas dos anjos, quando, antes de dormir, pede-se que eles te despertem na hora necessária então rabisca-se o número desejado com o dedo seco sobre a testa. funciona, diz a sabedoria do começo do século - o passado, é claro.

o sono extenso tem também outro motivo, nesses dias de ócio. me toma a grande preguiça de caminhar e ter que passar sobre aqueles mesmos lugares onde há pouco tempo atrás andava de mãos dadas, só não o beijando o tanto quanto gostaria pois sou pessoa orgulhosa com a idéia besta de que as coisas devem ser equivalentes. não beijarei mais do que sou beijada, grande lema de merda. ainda bem que ainda sou jovem, e esse tipo de besteira só se deixa para trás depois de anos, ou homens corridos.

a sorte é que são paulo é cidade grande, e apesar de ficar presa num nicho de pessoas e assuntos que acabam se repetindo, os espaços e horários que acolhem o nicho podem ser bem vários e isso permite eu nunca ter me encontrado com ele por acaso (pois, nesses dias, encontrar com ele pode muito bem ser encontrar com eles, outras mãos dadas e naquele início fresco e sorridente, de chumbo e asas sempre em riste, que irrita os solitários). mas bem, pra que arriscar esse tipo de coisa num dia que não é dos melhores? 15 horas de sono, recuperar energias e não desperdiçá-las, num dia assim é um tanto mais sábio.

o frio chega de novo, poderia ser mais fresco, mas pelo menos não é calor.
minha pele agradece.

___

avante aos lobos escoando pelo olho do tornado!
que mais um milhão de lobos me passe pela consciência,
tantos lobos quanto forem necessário por mês. eu pagarei por isso.

viva chuva








como eu tão espontaneamente chovi, também a cidade chove - acho que uns três meses sem uma chuva de verdade. exagero, é claro. exatamente o que eu precisava, penso. dou um motivo para a chuva me fazer feliz, e me dou uma desculpa para um marco de alguma coisa, de mudança de espírito, o que for. que se inaugure um novo ritornelo, banhado em água gelada e fresca. bebo um copo puro e cristalino.

não consigo pautar uma palavra em linha reta hoje. dia obssessivo por sono e judy henske, as únicas coisas que fiz bem feito. sono sem sonho, daqueles dignos de desmaio mesmo. provavelmente vou acordar amanhã ou qualquer outro dia e ler isso e não me lembrar de ter escrito.

me apaixonei por uns textos de um garoto do rio, mas em seguida arrumei pretextos para desapaixonar. sombrancelhas muito grossas. pronto, elimino assim qualquer trabalho extra. micro paixões e desapegos, como exercícios fáceis, de múltipla escolha, que de alguma forma te preparam para a prova - essa sim, densa.

one solid fucking woman, toda essa merda de mulher da vida, sonhos obscuros, olhares de vidro, purgatório, portas escancaradas e camas - do que me adianta isso agora, vamos lá vida real, do que me serve toda essa merda? eu quero motivos pra sorrir, chega de sturm und drang
, romantismo inútil.

cut-ups de sinapses.


11.10.07

avante - o tempo VII



cercada de lobos quem dera
mas cercada de hienas

avante!
20 milhões avançam empunhados de seus guarda-sóis,
20 milhões tão sós
mente cada passo dado adiante.
de uma forma ou de outra tudo vem de uma porção de brotos, e nunca se consegue prever o que diabos vai germinar disso. micro micro milionésima radícula em linhas nada retas.

avante aos lobos, pois esse é o futuro.
que a proliferação do cerco se opere, um cerco cada vez menos círculo e cada vez mais espiralado
- pois a espiral é cuneiforme, e o topo do que seria o círculo precisa do ponto de escoamento dos lobos. portanto, avante aos lobos pelo olho do tornado!

o presente-lobo é o fluxo constante ao tornado,
tão constante que nem existe.
eu amo tudo o que flui, o que flui é atual. é agora.

------
vitalismo, porra!