25.8.07

alles gut




escorrendo escorrendo escorrendo pelos dedos lá se vai a sanidade.

mais um copo de muco, por favor. preciso besuntar os cabelos finos.
uma imersão muito muito estranha. meus dedos tremem. eu tenho dedos longos, pernas curtas e dedos longos e magros.
o sangue pulsa gelado quando me dou conta dele. é como os passos. eles fluem tão bem sozinhos, mas quando os percebo, os passos andam tortos e eu quase caio. tropeço em cartilagens.
há coisas que não devem ser pensadas, apenas existidas.

woher kommst du? bist du fertig? jetzt? komm mit mir in mein todestrip. nur meinem todestrip, deinem nicht. bitte? oh, du hast den lebenstrip. genau. gut. alles gut.
tut mir leid.





Mar mar mar mar mar mar mar mar mar mar mar. Quero muito pisar na areia. Já faz quase 7 meses. Eu a última vez que fui, jurei que iria morar lá, no mar, pelo menos por uns 2 meses. Fui engolida por mim mesma.

O suicídio, o vôo e a mariposa




"Impressionante o depoimento de um dos poucos sobreviventes de um desses saltos no vazio. O rapaz deprimido conta que, imediatamente após soltar-se no espaço, arrependeu-se do ato, e buscou cair de maneira que pudesse sobreviver. Mas escapou por um triz e com graves ferimentos. Aqueles poucos segundos que separam o alto da ponte das águas do Pacífico foram empregados em meditação relâmpago sobre a vontade de morrer e o desejo de viver. Este prevaleceu."


__________________

Sempre penso nas possibilidades do ato suicida. Isso desde há muitos anos, nada ligado a um desejo implícito - curiosidade mesmo, do que pode acontecer no tempo que circunda a escolha feita e a morte em si. É, obviamente, um tema dilacerador, e para mim a pior dor possível de se ter, é a do arrependimento nos segundos ou fração deles que separam o ato feito do de-fato-final.

Pensando nisso, os pulsos cortados seriam o suicídio mais permissivo com a vida, o tiro na cara o mais leve e o pior, pior pior pior pior de todos é o suicídio de quem que se joga.

Cortar os pulsos, apesar de ter em si uma das coisas mais aflitivas para mim - a lâmina abrindo a pele, que sempre me manteve longe da Medicina - e que exige uma coragem e frieza fudidas, leva ao menos alguns minutos até a morte. Dá tempo de estancar, gritar por ajuda, chamar a ambulância, voltar atrás. Você vê um belo curta-metragem da vida passando sob seus olhos.

Tiro, na cara, na cabeça (acho que quem se mata com tiro tem que ser na cabeça), é instantâneo após o gatilho. O pré-gatilho é o pior, mas uma vez decidido BUM!, vai de uma vez, dor ardida e quente que mal deve ser sentida.

Agora, subir a um parapeito, ao topo de um prédio, a uma janela sem grades e decidir pular - putaqueopariu. Claro, não vou comparar o momento da escolha. Isso deve ser desgraçado em qualquer hipótese suicida. Não tenho nem como querer aprofundar isso. Destruição total e aniquilação, ponto. Mas bem, está decidido (ou pensa-se que está) e quem pula ao menos experimenta o vôo, que deve ser a melhor sensação a se ter na antemorte. Mas existe o tempo, curto mas infinito, do momento em que suas mãos não agarram mais o sólido ao vôo que só pode ser para baixo. São esses segundos em que você realmente se dá conta, passa qualquer dor de vida, o que for, e percebe que acabou, você está ainda vivo e consciente de que acabou tudo, tudo para sempre, escuridão eterna, sem volta, acabou e a consciência é que deve matar. Antes de chegar ao chão, por mais que ele arrebente toda sua carne e esmague seus ossos, saber, ainda vivo, que você está morto por escolha própria e NÃO, porra, não era bem isso e. Muito pior que metal cortando a pele, que depressão, que vontade de nada.

____________

Além do fato de que eu tenho uma atração absurda com alturas. Acho que é o meu maior medo. Jamais pularia de pára-quedas. Não consigo chegar à beira das janelas de apartamentos muito altos, vou meio engatinhando e olho a vista segurando firme em algum móvel pesado. Parece que toda a estrutura predial vai se curvando para a frente quando olho para baixo. Às vezes consigo olhar e posso ficar uma eternidade, fascinada com a distância ao chão. Mas eu jamais olharia para baixo estando no terraço de um prédio. Aliás, subir em terraço de prédio é quase impossível. Algo como a sensação que tenho com as mariposas. Tenho pavor letal daquelas grandes com os corpos gordos e peludos. Terror, não chego perto por nada desse mundo e é bem capaz que eu saia gritando em direção ao mais longe possível. Como se, se eu me aproximar, coloco na boca - mastigar mesmo. É uma sensação muito muito esquisita. O mesmo com a altura. Se eu chegar na beira de um vão muito alto e aberto, dá vontade de voar.