30.6.08

o tempo IX



como a primeira visão de um mundo em que a nave aterrisa.
é assim que o paraíso deveria se parecer para as almas, as recém-estrangeiras, pensou. passara os últimos meses de muito frio em paris, onde o céu, como era baixo. sem vestígio de auroras. e agora aqueles quilômetros todos de praia, ladeados por dunas, árvores numa composição puramente nativa. nenhum paisagismo. então, o paraíso.

imediatamente tirou todas as peças de roupa - ele era especialmente deliciado pela sensação de nudez, sempre que possível. fazia um extremo calor, aquela coisa de raio laser em climas temperados, e a água tão fresca, mais que isso, gelada mesmo. de início, ficava boiando (sem dúvidas com a barriga para cima, pois o sol acariciava bem o rosto constantemente umedecido). como é gostoso - a vida.

ficou ali um tempo com o clima em mudança.
uma das ondas que começaram a se formar veio um pouco mais forte, e ele foi engolido, saboreado pelo mar. aquelas vezes em que não há a menor referência para equilíbrios, as areias invadem os cabelos, respirar não é uma possibilidade. um caldo daqueles. levantou finalmente, depois de muito segurar o fôlego, e cambaleante ficou por um tempo ainda com os pés no mar, pequenas ondas batendo. um verdadeiro dueto com um gigante.
e percebeu como é bom - a vida.

13.6.08



malest cornifici tuo catullo


i'm happy, kerouac, your madman allen's
finally made it: discovered a new young cat,
and my imagination of an eternal boy
walks on the streets of san francisco,
handsome, and meets me in cafeterias
and loves me. ah don't think i'm sickening.
you're angry at me. for all of my lovers?
it's hard to eat shit, without having visions;
when they have eyes for me it's like heaven.

SF 1955

* * *

[blessed be the Muses
for their descent,
dancing round my desk,
crowning my balding head
with Laurel.]

* * *

A.G.

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ontem eu fiz um inimigo.
caramba, não consegui dormir de noite.