29.10.08

i'm the one



e daí que eu gosto de tempos quebrados? my target is your eyes. não dá. isso é muito ruim, porque caramba no fundo é mesmo tudo apenas química. meu último vício me mantém imune ao amor. então funciona o "hi, i'm petra" "meu nome é carina" "sabrina, prazer". se chama fobia de conhecer gente, apesar de que, para aqueles que eventualmente descobrem, trata-se de mania. claro que me divirto com tudo isso, mas o mote é autopreservação. todo mundo deveria exercitar essas coisas. levei um dia para me erguer e cair - mein todestrip ist jetzt begonnen.

26.10.08



toda vez que fecho a porta sinto esmagar a cabeça de um dos gatos. delírio, sempre é claro. quantos dogmas pode-se criar sobre: uma mesa para vinte pessoas; uma luz a mais acesa na cozinha; uma garota vitoriana, e isso ser muitíssimo feio; a coisa mais engraçada que se pode pensar sobre nudez. e, por mais que se tente achar o contrário, isso tudo ser absolutamente plausível, sem surrealismos ou invenções de mundos exóticos - nada mais que hoje, assim como o vejo. o significado das coisas pode ser bem estúpido.

21.10.08



e preste atenção: se prega escadas num altar e espera que isso signifique alguma coisa. provavelmente está certo. mas não há método mais digno de pena de tentar ficar a par com o tempo. a partir de 2015 o universo estará a 20 mil dólares de distância e cinco minutos poderão ser todo o resto de nossas vidas. a única resolução para isso será atirar as escadas aos penhascos. existem maneiras muito mais sábias de se movimentar nas verticais - quiçá nas tangentes! "no fundo apenas uma predestinação a uma morte precoce". danem-se as estrelas - prefiro corredores.
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"a mais calma e leve de todas as coisas um dia veio até mim!". quem sabe ela poderia e todos pudessem assim ter a chance de possuir tal passado para redimir.

7.10.08



não havia outra saída, pensou. já havia feito de tudo, estocado flores secas em todos os seus livros, frequentado os lugares onde sabia que a encontraria bêbada e sorridente. aqueles dentes magníficos - sempre ficam melhores quando ela tem a pele brilhante de suor e os cabelos molhados. não conseguiu sequer se apresentar, todos esses meses. enfim, a viu saindo daquele clube de sempre, com mais um rapaz sem muito cabelo. estremeceu: cadê o cavalo? cadê o cavalo? sabia que, cada noite em que ela o deixava içado no quarto, nunca tinha consciência de chegar em casa antes do sol. diz-se da demônia do foxtrot, uma lenda dos anos 20 que a garota realmente adorava. por fim, avistou-o, amarelo. no exato momento em que ela subia no cavalo não teve dúvidas: correu e meteu a cabeça entre suas pernas. ele a encharcou nas coxas de tanto temor. levou um coice na cara.

3.10.08

da exposição solar constante tive três filhos. como não sei lidar muito bem com coisas simultâneas, meti suas cabeças em baldes com cimento fresco e tudo ficou então aprumado. eu - plena. parti com algumas sacolas a menos, deixando para trás a jaula com os animais, tão desamparados. pensei no ninguém que iria alimentá-los dali pra frente, e na morte lenta que sofreriam, se mastigando uns aos outros por mais algumas horas de agonia. e a querida japonesa? ficara também, atada às pernas da cama pelos braços e pelos cabelos, com um pratinho de morangos. pelo menos a sede ela mata.