29.5.08

les temps des assassins - o tempo VIII



a coisa é: "e vivemos demasiadamente no meio"


colho aforismos da aurora como pétalas para as horas, e então me encontro deitada como o cavalo sobre o pano vermelho, no canto. colho e, ao invés de me sentir completamente idiota, rio e a água me transborda - é tão confortante compreender a energia arrebatadora de momentos, e como uma suposta eternidade só seria a mais penosa das prisões. assim, tento me apaziguar com o tempo.

23.5.08



tão completamente me fez prometer: i am never going anywhere, apesar de saber que precisava ir a todo lugar além de aqui. desde que, contra a vontade, tive que quebrar essa promessa, levo o lema da minha fidelidade ao extremo oposto: eu nunca vou ficar em lugar algum. meti tudo em quadrados, os que não entravam em quadrados despachei por 7 outros lares. agora, em cada abrigo em que me estaciono por mais de duas horas já chamo de minha casa. ontem morei num ônibus.

8.5.08

patinadora - bestiário I



zeusus, como eu gosto de fotografar através de cortinas.
cidade creamy via láctea, prédios feitos de leito morno e mel.
tenho que ir pro centro agora.
mas fico atada neste tapete que não é meu,
está no chão,
derrubo migalhas
e nossa, como é aconchegante.

é uma luta entre os bichos-tempo:
sem meio-termo, fico tempo_guepardo e tempo_lesma.
damn you chronos. tenho fobia dos relógios.

ontem mesmo falava e me descobri a vocação: minha melhor prática é a auto-sabotagem, disso já sabia. e o futuro do corpo por agora é buscar prazeres da miséria, sabe eu me sinto tão bem sem uma casa na verdade. me dá um semi-sorriso e um pouco de culpa. pura bobagem. quero me desfazer de tudo, como tenho feito há um tempo, pois aqui não é o lugar de construir - aquela coisa, correndo sobre o mel. eu não sei direito, o corpo anda sozinho rumo a tânger.

assim, não há culpados para a nossa tragédia. nada podia ser mais errado, e apesar de já pensarmos o contrário disso, eu e ele nascemos para ser tão distantes quanto as extremidades que uma reta permite. preciso desmontar tudo e caminhar sobre os cacos enquanto ele mergulha de cabeça no mel, construindo um palácio sem rodas.
abençoado por chronos, seu deus pessoal e íntimo,
e a serpente-schlange, meus maiores inimigos.

7.5.08

mano negra



eu odeio mesmo ver tua mão nas dela

tua mão demente, repulsa
que me apertava o peito com tanto músculo
ali, bem entre os seios
dor logo acima do esterno, sabemos bem
como sabem todos os que foram amantes.

cerco em rios gelados este aperto
como mastigar cacos de vidro
boiando há dias em anestésico.

não importa a tua casa
e muito menos quando ocorra
mas como foste o primeiro, quente gatilho
te dedico minha morte, tum deus de merda.