28.9.07

para perto de quê?



a vida e esses saltos hiperbólicos, essa paulada na cabeça que você mesmo se dá. pois sonhar sonhos horríveis, daqueles que fazem acordar com o peito fundo, pesado, é uma auto-paulada na cabeça. e o pior desse tipo de sonho é que o material do qual ele é feito está menos na sua cabeça do que na vida real.


saltos quânticos, saltos hiperbólicos. qual será que te leva mais longe, e a verdadeira questão é - para perto de quê?
a matemática contém a vida toda, é incrível. pena que não sou muito boa com números. matemática também é bicho, por mais estranho que isso possa soar.

números, números. por deus, são só 7H da manhã e eu já toda encurvada sobre o papel, me enfiando no meio disso tudo. agora?

je voudrais parler avec monsieur Burri, si vous plait. a ordem do dia!

um viva ao bom humor

14.9.07

Ainsi, j'aimé un porc




Foi enfim achada?

O que? A eternidade.
É o mar
Ao sol.

A cada ser, várias outras vidas me pareciam devidas. Este senhor não sabe o que faz: é um anjo. Esta família é uma ninhada de cães. Com diversos homens, conversava com um momento de uma de suas outras vidas. - Assim amei um porco.
A.R. Une saison en enfer


13.9.07

homage a joão - série do bestiário



meu vô joão me ensinou a primeira palavra que eu falei.

cena bonita, história que ele conta sempre que alguém menciona meu nome - e de fato a lembrança de mim que ele carrega, pois quando o encontrei no natal de 2005 ao abrir a porta da casa da minha mãe, não fui reconhecida. "mas você quem é?". a tatiana, filha da vitória vô. "mas você era tão pequenininha, está crescida!". mensurou uns 50 cm com as mãos. se esquecera completamente dos 22 anos sgeuintes que eu o encontrei, afinal eu havia acabado de aprender minha primeira palavra, sinhô!

não posso ir visitá-lo no hospital, brasília está longe nessa época de trabalho incontrolável. mandei beijos por encomenda, aos quais ele respondeu recordando a velha história.

estávamos em ubatuba, eu com 50 cm, ele uns 180. chorava muito essa época, então ele me levou para um passeio na praia, colo de vovô sempre apazigua o pranto. homem da fazenda, não tinha muito a me dizer sobre o mar ou velhos pescadores. gostava era de bicho.

me apontou as aves negras, grandes ,que voavam em círculos sobre a praia. ubatuba devia ser incrível em 84. nunca mais voltei pra comprovar. logo eu, amante de mar. queria ser um pescador, trabalho braçal e comer peixes crús com as mãos molhadas de sal.

apontei também, e repetia: bu, bu bu.

à noite, no berço ou o que quer que fosse, os pernilongos me espreitavam, voando em círculos menos uniformes. os pernilongos sempre gostaram da minha carne branca. reconheci e repeti, sempre apontando com dedos que ainda não eram magros - bu!

sem mamãe, sem papai. minha primeira palavra foi urubu.