
meu vô joão me ensinou a primeira palavra que eu falei.
cena bonita, história que ele conta sempre que alguém menciona meu nome - e de fato a lembrança de mim que ele carrega, pois quando o encontrei no natal de 2005 ao abrir a porta da casa da minha mãe, não fui reconhecida. "mas você quem é?". a tatiana, filha da vitória vô. "mas você era tão pequenininha, está crescida!". mensurou uns 50 cm com as mãos. se esquecera completamente dos 22 anos sgeuintes que eu o encontrei, afinal eu havia acabado de aprender minha primeira palavra, sinhô!
não posso ir visitá-lo no hospital, brasília está longe nessa época de trabalho incontrolável. mandei beijos por encomenda, aos quais ele respondeu recordando a velha história.
estávamos em ubatuba, eu com 50 cm, ele uns 180. chorava muito essa época, então ele me levou para um passeio na praia, colo de vovô sempre apazigua o pranto. homem da fazenda, não tinha muito a me dizer sobre o mar ou velhos pescadores. gostava era de bicho.
me apontou as aves negras, grandes ,que voavam em círculos sobre a praia. ubatuba devia ser incrível em 84. nunca mais voltei pra comprovar. logo eu, amante de mar. queria ser um pescador, trabalho braçal e comer peixes crús com as mãos molhadas de sal.
apontei também, e repetia: bu, bu bu.
à noite, no berço ou o que quer que fosse, os pernilongos me espreitavam, voando em círculos menos uniformes. os pernilongos sempre gostaram da minha carne branca. reconheci e repeti, sempre apontando com dedos que ainda não eram magros - bu!
sem mamãe, sem papai. minha primeira palavra foi urubu.
2 comentários:
se eu fosse teu avô também iria repetir essa infinitamente!!!
Bêjo!
bicha, a sra. tá escrevendo lindo!
adorei dorei dorei o texto.
vai nessa, tode!
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