14.10.07

viva chuva








como eu tão espontaneamente chovi, também a cidade chove - acho que uns três meses sem uma chuva de verdade. exagero, é claro. exatamente o que eu precisava, penso. dou um motivo para a chuva me fazer feliz, e me dou uma desculpa para um marco de alguma coisa, de mudança de espírito, o que for. que se inaugure um novo ritornelo, banhado em água gelada e fresca. bebo um copo puro e cristalino.

não consigo pautar uma palavra em linha reta hoje. dia obssessivo por sono e judy henske, as únicas coisas que fiz bem feito. sono sem sonho, daqueles dignos de desmaio mesmo. provavelmente vou acordar amanhã ou qualquer outro dia e ler isso e não me lembrar de ter escrito.

me apaixonei por uns textos de um garoto do rio, mas em seguida arrumei pretextos para desapaixonar. sombrancelhas muito grossas. pronto, elimino assim qualquer trabalho extra. micro paixões e desapegos, como exercícios fáceis, de múltipla escolha, que de alguma forma te preparam para a prova - essa sim, densa.

one solid fucking woman, toda essa merda de mulher da vida, sonhos obscuros, olhares de vidro, purgatório, portas escancaradas e camas - do que me adianta isso agora, vamos lá vida real, do que me serve toda essa merda? eu quero motivos pra sorrir, chega de sturm und drang
, romantismo inútil.

cut-ups de sinapses.


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