
esteve amante de um açougueiro. cada noite ele desejava um pedaço dela pois só enxergava em retalhos: a bunda, as pernas, a boca, os grampos, as botas e por fim os seios. afundou seu rosto enquanto dizia como eles estarão ainda iguais quando ela fizer 70 anos. ele lidava muito bem com a carne, mas nunca entendeu o gosto que ela tinha pelo cheiro de pele; "só o das peles que eu aprecio, claro". também percebeu que o rapaz achava suas costas boas de morder. uma vez eles acordaram com um gato rosnando entre os dois então se deu conta da mulher ali, inteira e nua. disse que não conseguia acreditar e deu o veredito - você sabe mentir bem. só porque não entendia o que via seus olhos e era inimaginável a capacidade da mulher de contar boas histórias. só podem ser mentiras. é tão simples: a mulher gosta de viver e é isso que gera boas histórias. ela desistiu e resolveu ir de vez para fora daquele quarto sem quadros. só uns dias depois percebeu que deixara o fígado para trás.
Um comentário:
não sei. não sei mesmo. vamos tomar um café num bar.
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