25.8.13

passeio pelo muro do norte


















o rapaz na minha frente pedalava como quem tem o coração partido, descambando pra todo lado, tropeçando escada abaixo. eu ia tão certa, tão direta e forte que percebi que meu coração já estava bem remendado a essa altura. até tirei o capacete. umas folhas caíram no chão e eu segurei no guidão com mais vontade, pra me certificar que nada havia quebrado de novo. calejada que nem! com o dedão já machucado. o bosque tinha umas árvores tão alinhadas que me deu medo da stasi - isso era do lado de fora do muro. ultrapassei o mesmo casal de velhinhos vinte vezes, sempre aquela senhora japonesa. sentei à beira de um dos lagos pra comer minha maçã, mas não estava quente o suficiente pra um mergulho. não vi cobra em lugar nenhum, tudo tranquilo. tantos lagos por esse caminho: uns enormes, com iates, uns cheios de musgos, outros cercados por arame e umas flores com mais amarelo do mundo. me enchia de certeza e gratidão quando via mais uma daquelas setas brancas pixadas no chão. eu sorria pra todo mundo que vinha de encontro, pois só depois de velha aprendi que esse é mesmo o melhor modo e o mais simples. não me senti boba nem nada, só translúcida.

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