28.3.07

o tempo II

coisas girando numa esteira rolante a mil por hora e meu corpo gritando para se ater com os pés no chão. o tempo do orgânico mal permite que se estenda o braço e alcance uma porção do tempo eletrotecnomecânico que opera por dígitos.
tratamento de choque por doses hoemopáticas e eu sou muito jovem para conseguir rachar tudo isso ao meio e me permitir um modo de vida que opere como linha de fuga.
aliás, não sei se é só uma questão de tempo - pois não se pode desconsiderar a doença do território. mais um fator para deixar o corpo em frangalhos, e não sei se é muito romantismo, mas acredito que o corpo seria mais são se vivesse o nomadismo. ao menos por um curto período, um que me permita o descolamento do tempo numérico em eleição à temporalidade. às temporalidades, cada qual no seu espaço adequado.
por isso tudo me permiti o desligamento parcial de algumas ofertas da esteira girante. claro que - doença do tempo, do território ou da natureza? - sem deixar de me sentir um pedaço de merda inútil, que não serve de engrenagem a nada.

(pessimismo, ainda que romântico e nostálgico, de 2005 - bons tempos, maus tempos. agora mais dentro da esteira, tropeçando a cada passo)

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