eu nem lembrava da existência disso.
faz tempo, mas não tanto.
e por algum motivo muito irritante não dá pra logar pelo blog antigo.
10 Junho 2005
acabei de ver uma cena incrível. um mendigo deitado de bruços num colchão, e uma mulher pisando em suas costas. era uma massagem, e ele sorria de olhos fechados. esquina da higienópolis com a angélica.
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hoje vi duas coisas belas.
primeira, uma que já havia visto, mas agora no cinema: a liberdade é azul. queria dizer uma coisa sobre ele, mas já disse no primeiro post. mas é exatamente isso. a música é absurda (apesar de ter me tocado mais quando a ouvi pela primeira vez saindo das caixas afundadas e ruidosas da minha televisão), as luzes são maravilhosas, pontuais ou escandalosas, mas sempre com sutileza. as tomadas dos reflexos são de chorar, e a liberdade é só. assim como o amor. o homem da flauta. sempre temos que nos apegar a alguma coisa, e dorme com a cabeça sobre o estojo de madeira. mas um dia ele sai e deixa o estojo na rua.
me deu vontade de mergulhar numa piscina muito limpa.
segunda, eu também já tinha visto, mas em outro lugar. a série de fotografias pinhole-agfa da fátima roque feitas no Rio. emulsão dissolvida, marcas de digitais, horizonte deformado e linhas sinuosas formadas apenas pelo encontro da luz com aquela câmera específica. todas dispostas em caixas, pois a fátima é a mulher das caixas. tudo pensado e tudo sentido. e a bicicleta que desafia as leis da gravidade, apesar de não ser capaz de apontar esta como a minha fotografia preferida da série. por um momento diria que é a do guarda-sol com espectros, mas então vi mais uma sequência que me tirou a vontade de ter que optar por preferidas. no itaú cultural até 10.07.05. sempre em busca do branqueamento da caixa preta.
hoje vi duas coisas belas. e às vezes odeio a filosofia por me pedir explicações sobre isso. foda-se os problemas da estética. essas coisas são o meu belo, folhas secas são belas, sua mão apertando meu peito é belo, marcas de vida tátil em fotografia é belo, o aveludado de uma fotogravura impressa é o belo, mas por favor não me peça pra conceitualizar isso. por favor. hoje um homem viu o belo em mim, parou ao meu lado e ficou me olhando mudamente enquanto eu observava seu olhar pelo canto direito do meu. acho que ele viu beleza em costas e ombros nus seguidos de uma linha preta que terminava numa saia rodada - estava com cabelos muito negros e desgrenhados.
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hoje vi duas coisas belas.
primeira, uma que já havia visto, mas agora no cinema: a liberdade é azul. queria dizer uma coisa sobre ele, mas já disse no primeiro post. mas é exatamente isso. a música é absurda (apesar de ter me tocado mais quando a ouvi pela primeira vez saindo das caixas afundadas e ruidosas da minha televisão), as luzes são maravilhosas, pontuais ou escandalosas, mas sempre com sutileza. as tomadas dos reflexos são de chorar, e a liberdade é só. assim como o amor. o homem da flauta. sempre temos que nos apegar a alguma coisa, e dorme com a cabeça sobre o estojo de madeira. mas um dia ele sai e deixa o estojo na rua.
me deu vontade de mergulhar numa piscina muito limpa.
segunda, eu também já tinha visto, mas em outro lugar. a série de fotografias pinhole-agfa da fátima roque feitas no Rio. emulsão dissolvida, marcas de digitais, horizonte deformado e linhas sinuosas formadas apenas pelo encontro da luz com aquela câmera específica. todas dispostas em caixas, pois a fátima é a mulher das caixas. tudo pensado e tudo sentido. e a bicicleta que desafia as leis da gravidade, apesar de não ser capaz de apontar esta como a minha fotografia preferida da série. por um momento diria que é a do guarda-sol com espectros, mas então vi mais uma sequência que me tirou a vontade de ter que optar por preferidas. no itaú cultural até 10.07.05. sempre em busca do branqueamento da caixa preta.
hoje vi duas coisas belas. e às vezes odeio a filosofia por me pedir explicações sobre isso. foda-se os problemas da estética. essas coisas são o meu belo, folhas secas são belas, sua mão apertando meu peito é belo, marcas de vida tátil em fotografia é belo, o aveludado de uma fotogravura impressa é o belo, mas por favor não me peça pra conceitualizar isso. por favor. hoje um homem viu o belo em mim, parou ao meu lado e ficou me olhando mudamente enquanto eu observava seu olhar pelo canto direito do meu. acho que ele viu beleza em costas e ombros nus seguidos de uma linha preta que terminava numa saia rodada - estava com cabelos muito negros e desgrenhados.
06 Junho 2005
as pessoas confundem existência com vida. a existência é individual e a vida está em tudo, perdura infinitamente além da existência. num acesso egoísta ou mesmo ignorante a maioria usa a vida para a existência, o que é uma grande besteira. deveriam usar a existência em prol da vida, o que é bastante difícil. mas pelo menos que tenham a consciência disso.
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hoje eu vi o brown bunny. filme bastante triste e bem egocêntrico dentro dessa tristeza - algo que eu posso compreender muito bem. mas minha tristeza é natural e justa. esses dias eu vi la notte do antonioni. também um filme triste, também uma tristeza justa, também algo que compreendi muito bem. é aquilo que acaba se transformando em anestesia para levar a existência adiante, mas que vai queimando cada célula silenciosamente por dentro.
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"O fato de uma coisa ser difícil deve ser um motivo a mais para que seja feita." a boa e velha sabedoria romântica, tão degenerada ultimamente. por isso as pessoas não entendem porque faço fotogravura.
"Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento cada vez mais intenso e profundo."
* rilke, cartas a um jovem poeta. enfaticamente recomendado
a fotografia também é solitária. eu amo e fotografo. e isso está também intimamente misturado, meu amor, a fotografia, as imagens de tudo isso, o reflexo que encontro para tudo isso. pois nós não conseguimos enxergar nada além de reflexos, só os cegos devem perceber as coisas em si. as coisas nelas mesmas. acho que isso atrapalha um pouco a minha relação com o amor. ele não é cego, é reflexivo.
meu amor está agora em contato com a morte, num lugar onde não posso abraçá-lo. me senti aliviada por ele estar inalcançável, pois isso me recobra a liberdade da solidão. não tenho como ouvir sua voz ou ir ao seu encontro se ele não o fizer antes. nem se eu quisesse muito. me lembra outra época em que ele estava mais inatingível ainda e não consegui lidar bem com aquele mês. a liberdade transformou meu chão em nuvens que estou tentando condensar até hoje.

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