29.8.08

'se isso faz você se sentir melhor, eu estava usando meu broche preferido: um camafeu verde com moldura e busto dourados.' a verdade é que eu já havia perdido o camafeu uma vez, sempre fora o meu preferido desde que o comprei, e já tinha estado triste e recuperada de sua ausência, então não senti muito quando o perdi de novo. desta vez foi de vez. mas isso não a fazia se sentir melhor, a amiga. junto com o maldito broche tinha sumido seu paletó de veludo, presente da avó. não se usa as coisas das pessoas assim. poxa, você já levou um cara para passar a noite com você lá, e não tem problema, já tinhamos até conversado disso, trepou na minha cama e ok, mas se vai usar alguma coisa emprestada pelo menos toma cuidado.
- olha desculpa, perdão, eu não sabia que era coisa da sua vó, eu sou mesmo uma filha da puta mas não fica com raiva de mim por isso.
- não era da minha vó. ela me comprou. em buenos aires.
- ah, não era dela, dela? menos mal. mas pode mandar fazer um por minha conta.
- porque você não enfia essas desculpas no seu cu? sem lubrificante, porque as mulheres devem dar o cu sem lubrificante para ser real. algo a respeito da dor no parto e longas gripes.
- olha, não há necessidade de chegar nesse ponto, joana. afinal, era só um casaco. eu já pensei em uma porção de roupas pra te dar, além de uma bolsa que eu sei que te interessa e só precisa de uns reparos no sapateiro.
- o que você espera que eu faça com esse amontoado de copisas usadas das quais você ia mesmo se livrar? você é mesmo uma vaca folgada e sem a mínima classe, carina. e pode parar com isso antes que eu enfie a mão na sua calcinha, você sabe bem o que eu posso fazer com a minha mão aí.
- não sei não, sua prostituta mimada. tem algo a ver com mamões? eles são tudo o que me interessa sexualmente agora.
- te amo amiga.
- eu te desprezo.

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