13.7.08

bestiário IV



as funções de hoje: mergulhar na banheira com gelo, parar de escrever livros enquanto durmo, ascender a árvore do avesso, resgatá-lo do creme brulée, pensar na dor do pato - aquela forma criança de voar, e atravessar sem olhar. e por estar num lance de me desfazer, concorro a carros roubados por quem pensa que levo o Nada a sério. permaneço intocada por esperar que cavalos se comportem como felinos, mas a verdade é que eles têm mesmo 16 patas, em desafio ao Tempo. então alguém diga a seu amigo que é sempre mais interessante brincar com vértebras antes da próxima aurora, por mais novas que elas sejam - pois do que nos adianta escrever como se estivéssemos no XIX, se estamos aqui tão descrentes no vinte e um?

alguns passos de hontem: os alarmes dos carros piaram. o meu colchão se afundava ao centro. sob ritornelos adormeci para não fazer da noite uma perdida ao voltar de novo cambaleante - do velho ao antigo, em passos de ancião. o tiro, disse o doutor, foi no coração, mas juro que vi o sangue aflorar da cabeça.

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