21.7.08

o cotidiano II



ele se encontra lá, na sala, à espreita, miserável, mau-humorado e abduzido. tento sorrir e provocar uma espécie de higiene budista, pois acima de tudo temo por ela: que precisa de apenas suaves doses de liberdade e apreciação para alguns momentos de plenitude, tão sinceros e justos. por negar-lhe isso o olho de soslaio, com uma espécie de desconfiança - de que ele não será suficiente para mantê-la feliz, apesar dela precisar de tão pouco na verdade, como flores brancas num campo muito amplo e abelhas em estado larval. e isso me dá um certo desamparo pelo amor e pelo futuro, já que apesar de saber que ele poderá sempre existir (o amor), não sei se algum dia deixará de ser imaturo - nele, os humanos se encontram em seu estado mais bobo, se mal dosado - e fonte de diversas privações, jesus, tão tolas.

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santo de qualquer coisa, me liberte dos adjetivos e advérbios
pois de sua tentação sou incapaz de fugir.

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