
mas então, perguntou ele com calma fria, o que há com toda esta história de carreira - é realmente necessário ter uma - o que é que estamos fazendo com as nossas vidas desse jeito? tem uns caras que sobreviveram sem se debruçarem sobre uma dessas, e ainda num nomadismo sem grupo.
- é, tem essa minoria. mas a maioria dos vagabundos e viajantes sem emprego ainda é apenas alguns vagabundos viajantes; as bocas cheias de formigas e mel.
- e a maioria dos funcionários são funcionários e só, as gargantas cheias até o sino de areia. e o que eu não entendo é porque nos parece tão vitalmente importante sermos uns desses. mas não estou entrando na questão das roldanas, engrenagens besuntadas de petróleo aqui; isso já foi mascado e cuspido, tanto. o grande lance é: e o que fazemos com os animais e a sede?
- olha meu querido, meu reptilzinho úmido, fruto de uma terra tão fértil, solo do plantio de macadâmias: é melhor não entrarmos nesse assunto de universo, vidas no não-vácuo e aniquilação por raios gama escapados da morte de estrelas monstruosas. só te alerto de antemão, já que sempre começamos com lamentos profissionais e terminamos atolados até o pescoço com a imbecilidade nossa, e o tempo e o cosmo. sabe, eu tenho um mês duro pela frente e não posso desperdiçá-lo pensando na nossa mais completa insignificância. já te disse bem como meu chefe tem pegado no meu pé.
Nenhum comentário:
Postar um comentário